Tensão e embate jurídico marcam sessão na Câmara; presidente é alvo de voz de prisão no plenário
Por Dircélio Timóteo
Uma sessão legislativa que deveria seguir a pauta ordinária acabou se transformando em um dos episódios mais conturbados já registrados na Câmara Municipal. Na noite desta terça-feira, o presidente da Casa, vereador Antonio Fiaz Carvalho, conhecido como Tonico, foi alvo de uma declaração de prisão em flagrante feita por uma advogada presente no plenário.
O fato ocorreu após o chefe do Legislativo impedir, pela terceira vez, que o vereador Paulo Preza registrasse seu voto durante a deliberação. A medida provocou reação imediata e elevou o clima de tensão no local. Diante do impasse, a advogada Dra. Keith anunciou voz de prisão em flagrante contra o presidente, argumentando que houve violação das prerrogativas parlamentares e possível abuso de autoridade.
Pela legislação brasileira, qualquer cidadão pode declarar voz de prisão em situação de flagrante delito, mas cabe às forças policiais analisar a ocorrência e decidir sobre eventuais providências. Policiais acompanhavam a sessão no momento do anúncio. Após a declaração, Tonico deixou o plenário e se dirigiu ao gabinete.
Até o encerramento desta reportagem, não havia confirmação oficial de que o presidente tenha sido conduzido à delegacia para registro formal de prisão, nem posicionamento público da Polícia Civil sobre a abertura de investigação.
A reunião, que se estendeu por mais de oito horas, acabou suspensa diante do impasse. Além do embate político, o caso pode gerar desdobramentos jurídicos, especialmente quanto à validade das votações realizadas sem a participação do vereador impedido. O episódio amplia o debate sobre limites regimentais, garantias parlamentares e a condução dos trabalhos legislativos em momentos de conflito institucional.