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Três anos do 8 de janeiro: Praça dos Três Poderes adota novos padrões de segurança e controle de acesso

Por Dircélio Timóteo

Três anos do 8 de janeiro: Praça dos Três Poderes adota novos padrões de segurança e controle de acesso
Foto : Reprodução internet

Brasília completa, nesta quinta-feira (8), três anos dos ataques que marcaram a história recente do país. Em 8 de janeiro de 2023, as sedes do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Palácio do Planalto foram invadidas e depredadas por grupos extremistas, no maior atentado contra as instituições democráticas desde a redemocratização.

Desde então, a Praça dos Três Poderes passou por uma profunda reformulação nos protocolos de segurança. Além da recuperação estrutural dos prédios atingidos, houve uma revisão ampla na forma como servidores, autoridades e visitantes acessam os espaços que simbolizam o poder público federal.

Antes dos ataques, colaboradores do Congresso não eram submetidos diariamente a inspeções de segurança. Visitantes passavam por detectores de metal apenas em fins de semana, sem a exigência de cadastro prévio com documento oficial. Esse cenário mudou radicalmente após os episódios de vandalismo.

Atualmente, todos que entram no Palácio do Congresso Nacional e em seus anexos — incluindo servidores e prestadores de serviço — passam por detectores de metal e equipamentos de raio-X. A única exceção são parlamentares e autoridades da República. Para o público externo, tornou-se obrigatório apresentar documento de identificação original, que é registrado em sistema informatizado da Câmara dos Deputados. A regra também se aplica às visitas institucionais em fins de semana e feriados.

Outra medida visível foi a instalação de películas antivandalismo nos principais acessos do Congresso, com o objetivo de reduzir danos em caso de tentativas de invasão ou atos de violência. O Senado Federal informou ainda a aquisição de equipamentos voltados ao controle de distúrbios civis e a ampliação do quadro da Polícia Legislativa.

No Palácio do Planalto, a Secretaria de Segurança Presidencial, vinculada ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), reforçou a proteção das instalações. Entre as ações adotadas estão o aumento do número de agentes em serviço diário, a ampliação dos postos de vigilância e a instalação de mais de 700 câmeras de monitoramento em áreas estratégicas. O Planalto, no entanto, não detalhou os números exatos do reforço no efetivo.

A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) também promoveu mudanças estruturais após o 8 de janeiro. Segundo a pasta, os protocolos operacionais foram revisados com foco na prevenção, resposta rápida e maior integração entre os órgãos de segurança.

Entre as medidas adotadas estão o reforço de barreiras físicas, a redefinição dos perímetros de segurança, regras mais rígidas de circulação na Esplanada dos Ministérios e o uso ampliado de tecnologias de monitoramento. A Polícia Militar mantém policiamento ostensivo permanente na região, com efetivo fixo em pontos estratégicos e patrulhamento constante, tanto a pé quanto motorizado.

Ainda em 2023, o 6º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Batalhão dos Poderes, passou por reforma, ampliação e aumento de efetivo. Uma nova sede da unidade está em construção. Como parte do reforço na segurança da área central de Brasília, também foi criada a Unidade Integrada de Segurança Pública (UISP) no Setor Comercial Sul, reunindo Polícia Militar, Polícia Civil e outros órgãos em atuação conjunta.

Três anos após os ataques, a Praça dos Três Poderes segue aberta à população, mas sob um novo paradigma: mais controle, mais vigilância e protocolos rígidos para preservar a integridade das instituições democráticas e garantir a segurança de quem circula pelo coração político do país.